"Remédio da Ciência" e "Remédio da Alma": os usos da secreção do kambô (Phyllomedusa bicolor) nas cidades
Edilene Coffaci de Lima, Beatriz Caiuby Labate
CAMPOS - Revista de Antropologia Social October 15, 2007 DOI: 10.5380/cam.v8i1.9553 via OpenAlex
Summary
AI-generated from the abstractSince the mid-2010s, the use of the secretion from the frog Phyllomedusa bicolor, known as kambô, has spread in large Brazilian cities. Traditionally used as a stimulant and invigorator for hunting by indigenous groups of the southwestern Amazon (including Katukina, Yawanawá, and Kaxinawá), kambô has attracted dual interest in urban centers: as a 'science remedy'—emphasizing its biochemical properties—and as a 'soul remedy'—valuing its indigenous origins. Its urban diffusion occurs mainly in alternative therapy clinics and within Brazilian ayahuasca religious settings. Applicators are diverse: indigenous people, former rubber tappers, holistic therapists, and doctors. This article presents an ethnography of kambô's diffusion, analyzing the discourse these various applicators have developed about the secretion, understood by some as a kind of 'power plant,' analogous to peyote and ayahuasca.
Study at a glance
| Characteristics | Ethnography Peer reviewed |
|---|---|
| Population | Applicators of kambô in urban Brazil, including indigenous people, former rubber tappers, holistic therapists, and doctors |
| Keywords | Art Humanities |
| Citations | 14 |
| Key finding | The urban spread of kambô involves two contrasting framings—as a scientific remedy and as a soul remedy—with diverse applicators constructing it as analogous to power plants like peyote and ayahuasca. |
Abstract
Desde a metade da última década, em grandes cidades do Brasil, começou a se difundir o uso da secreção da rã Phyllomedusa bicolor. Tradicionalmente usada como revigorante e estimulante para caça por grupos indígenas do sudoeste amazônico (entre eles, Katukina, Yawanawá e Kaxinawá), tem havido um duplo interesse pelo kambô nos centros urbanos: como um "remédio da ciência" – no qual se exaltam suas propriedades bioquímicas – e como um "remédio da alma" – onde o que mais se valoriza é sua "origem indígena". A difusão urbana do kambô tem-se dado, sobretudo, em clínicas de terapias alternativas e no ambiente das religiões ayahuasqueiras brasileiras. Os aplicadores são bastante diversos entre si: índios, ex-seringueiros, terapeutas holísticos e médicos. Neste artigo apresentamos uma etnografia da difusão do kambô, analisando sobretudo o discurso que esses diversos aplicadores têm elaborado sobre o uso da secreção, compreendida por alguns como uma espécie de ‘planta de poder’, análoga ao peiote e a ayahuasca.