Ayahuasca no tratamento da farmacodependência à cocaína: possíveis intervenções terapêuticas?
December 13, 2019 DOI: 10.11606/d.9.2019.tde-09122019-185108 via OpenAlex
Summary
AI-generated from the abstractAyahuasca, a psychoactive beverage containing DMT, is used by indigenous populations in religious rituals. Recent studies propose hallucinogens as treatments for central nervous system disorders like depression, anxiety, and addiction. This study tested whether ayahuasca could prevent the expression of cocaine-induced behavioral sensitization in C57Bl/6 mice. At lower doses (1.76 and 3.0 mg/kg DMT), ayahuasca did not prevent sensitization. Higher doses (15, 30, and 45 mg/kg DMT) did prevent it. However, analysis of serotonin receptors 5-HT1A and 5-HT2A in the prefrontal cortex, striatum, and hippocampus showed no significant differences between groups. These results suggest ayahuasca may be a promising therapeutic strategy for cocaine addiction, warranting further research.
Study at a glance
| Characteristics | Experimental study |
|---|---|
| Population | C57Bl/6 mice |
| Dose | 1.76, 3.0, 15, 30, 45 mg/kg DMT orally |
| Duration | 10 alternating days of cocaine or saline, then 8 consecutive days of ayahuasca or water, followed by challenge days |
| Topics | Ayahuasca |
| Keywords | Coca Traditional medicine |
| Citations | 1 |
| Key finding | Higher doses of ayahuasca (15, 30, and 45 mg/kg DMT) prevented the expression of cocaine-induced behavioral sensitization in mice, though no significant changes in serotonin receptor protein levels were observed. |
Abstract
\n Alucinógenos (ALU) são substâncias psicoativas que não induzem o indivíduo à dependência, possuem perfil de segurança de uso mais alto quando comparado a outras drogas e baixa capacidade de causar tolerância ao uso. Estudos recentes propõem o uso de ALU como tratamento a algumas doenças e transtornos relacionados ao sistema nervoso central, como a depressão, ansiedade e dependência. Dentre os ALU, a ayahuasca (AYA), cujo princípio ativo é a dimetiltriptamina (DMT), é uma bebida psicoativa amplamente utilizada pelas populações indígenas em rituais religiosos. Existem evidências de que pode ser eficaz no tratamento de dependência relacionada ao álcool e nicotina. No entanto, para a cocaína, a segunda droga ilícita mais utilizada no Brasil e na Europa, não existem muitos estudos. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial da AYA em prevenir a expressão da sensibilização comportamental (SC) induzida pela cocaína e as repercussões neuroquímicas do tratamento em camundongos C57Bl/6. Para tanto, foi avaliada a influência da administração aguda de AYA (1,76; 3,0; 17,6; 30,0 mg/kg de DMT v.o.) na atividade locomotora dos animais em campo aberto (CA). Como não houve diferença estatística na distância percorrida durante a análise, as duas menores doses (1,76 e 3,0 mg/kg de DMT v.o.) foram escolhidas como doses iniciais para a realização do protocolo de prevenção à expressão da SC induzida pela cocaína. Inicialmente, os animais foram habituados no CA durante 3 dias consecutivos após a administração de solução salina 0,9% i.p. No 4o dia experimental, os animais receberam, durante 10 dias alternados, cocaína 10 mg/kg ou salina 0,9% i.p. e foram submetidos diretamente à avaliação da atividade locomotora no CA por 30 minutos. Vinte e quatro horas depois, receberam, durante 8 dias consecutivos, água ou AYA (1,76 ou 3,0 mg/kg de DMT v.o.) e após 30 minutos da administração, foram colocados no CA por 30 minutos para análise da atividade locomotora. No dia seguinte, os camundongos foram desafiados com uma administração de salina. E, no último dia experimental, foi realizado um desafio com cocaína, sempre colocando o animal no CA por 30 minutos. Nessas doses, a AYA não foi eficaz em prevenir a expressão da SC induzida pela cocaína. Dessa forma, avaliamos doses superiores de AYA (15, 30 e 45 mg/kg de DMT v.o.), as quais foram capazes de prevenir a expressão da SC à cocaína. Assim, o protocolo experimental foi novamente realizado com a menor dose (15 mg/kg de DMT v.o.), ao término do protocolo experimental, os animais foram eutanasiados e tiveram seu córtex pré-frontal, estriado e hipocampo dissecados para análise por immunoblotting dos receptores serotoninérgicos 5-HT1A e 5-HT2A. No entanto, não foram não observadas diferenças significativas ao comparar o nível proteico dos receptores nos grupos experimentais. Dessa forma, esses resultados sugerem que a AYA pode ser uma boa estratégia terapêutica para a dependência em cocaína, abrindo caminho para novos estudos.\n